Luciano Nascimento - Repórter da Agência
Brasil*
Edição: Luana
Lourenço
A presidenta Dilma Rousseff comentou hoje (17) a declaração da
presidenta do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que disse
que seria uma “grande satisfação” para o fundo trabalhar com o Brics (Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul) nos novos instrumentos financeiros do
bloco.
Dilma reafirmou que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e
do Arranjo Contingente de Reservas do Brics não vai de encontro ao FMI, e disse
que o Brasil não abrirá mão dos direitos que tem no FMI.
“Eu disse que o nosso Acordo Contingente de Reservas e o nosso Banco de
Desenvolvimento do Brics não eram contra ninguém e que nós não abriríamos todo
o nosso direito que temos no FMI, porque não tem porque abrir mão”.
A presidenta defendeu ainda uma mudança na estrutura do FMI. “Nós somos
cotistas e queremos uma mudança na distribuição de cotas. Queremos que o FMI,
como uma instituição do sistema financeiro, reflita a correlação de forças da
economia internacional. Nós, países emergentes, tendo a posição que temos na
economia, temos que ter a mesma representação. Não é possível termos uma
representação menor”, criticou.
Em carta à presidenta brasileira, Christine Lagarde disse que a equipe
do FMI terá “grande satisfação de trabalhar” com o Brics, “com vistas a
reforçar a cooperação entre todas as partes integrantes da rede internacional
de segurança destinada a preservar a estabilidade financeira no mundo”.
Dilma disse que o Brasil e o Brics querem continuar cooperando com o
FMI, mas que ainda é cedo para especificar de que forma. "Nós também temos
interesse em trabalhar junto com ela, mas as condições em que isso se dará, é
absolutamente precipitado discutir”, disse.
Segundo Dilma, a passagem do Brasil de devedor para credor do FMI
demonstra o interesse do governo brasileiro em participar mais ativamente da
estrutura do fundo. “Mostra que estamos interessados em garantir o
posicionamento do Brasil e dos países emergentes dentro do fundo monetário”,
completou.
O NBD terá capital inicial autorizado de US$ 100 bilhões e capital
subscrito de US$ 50 bilhões, igualmente distribuídos entre os cinco países que
integram o Brics. A sede será em Xangai, na China, e a primeira presidência do
órgão será de um representante da Índia.
Em um primeiro momento, o banco deverá investir prioritariamente
em projetos de infraestrutura. A expectativa de chefes de Estado
sul-americanos é que, com a criação do novo organismo, os países em
desenvolvimento dependam menos de outros organismos multilaterais, entre
eles o FMI.
*Colaborou Danilo Macedo
Fonte: Agência Brasil
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