Daniel Lima e Sabrina Craide - Enviados
especiais
Edição: Luana
Lourenço
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro
Borges, informou hoje (14) que os ministros dos países que compõem o Brics
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) veem com preocupação a lenta
retomada da economia mundial, com prejuízos aos investimentos e ao fluxo de
comércio. Ele leu o documento final do encontro de ministros de comércio
reunidos na 6ª Reunião de Cúpula do Brics, que acontece em Fortaleza.
“Especificamente, (os ministros) observam que as incertezas relacionadas
ao crescimento econômico global e às respostas de política econômica dos países
desenvolvidos podem levar ao aumento da volatilidade dos mercados financeiros
e, neste sentido, provocar desdobramentos não desejáveis para a economia
mundial”, disse.
Os ministros do bloco enfatizaram que é necessário melhorar a governança
internacional das estruturas globais para uma coordenação de política e
prosperidade dos países. Os ministros acreditam também que, a despeito desse
cenário desafiador, os países do Brics continuam a contribuir de forma decisiva
para a recuperação econômica mundial.
“Eles reconheceram que o comércio e os investimentos entre os países do
grupo aumentou significativamente nos anos recentes, de 2002 para cá, mas mais
acentuadamente a partir da grande crise de 2008”, destacou. De acordo com o
comunicado, o grupo está disposto a impedir qualquer iniciativa protecionista
que afronte à Organização Mundial do Comércio (OMC), dos quais os cinco países
são signatários.
Os ministros também destacaram que o sucesso do encontro de Bali,
ocorrido em dezembro de 2013, tem o apoio do Brics em relação aos objetivos nos
cronogramas que foram estabelecidos, de forma que se estabeleça o papel central
da OMC e as regras globais de comércio. Os ministros enfatizaram a necessidade
da conclusão da Rodada Doha e se comprometeram a dedicar esforços para
assegurar um programa de trabalho na OMC para fortalecer uma estrutura de
comércio mais equilibrada, inclusiva voltada para o desenvolvimento.
A Rodada Doha é um ciclo de negociações para liberalização do comércio
mundial, iniciado em 2001. Os principais impasses estão nas negociações entre
os países em desenvolvimento e os desenvolvidos nos setores de agricultura,
facilitação de comércio, dos serviços e manufaturados.
Outro ponto apontado no documento foi um estudo preparado pelo Grupo de
Relações para Assuntos Econômicos e Comércio (Cgeti, na sigla em inglês), que
faz recomendações importantes para agregar valor às exportações entre os países
do Brics e garantir que o comércio seja mais sustentável.
Os ministros de comércio do bloco também reafirmaram a importância do
diálogo contínuo sobre acordos de investimentos internacionais e enfatizaram a
necessidade de fortalecer a cooperação no comércio eletrônico entre os países
do Brics.
Amanhã (15), durante a reunião de Cúpula, os chefes de Estado dos cinco
países vão deliberar sobre a criação do novo banco de desenvolvimento do bloco,
que financiará projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Também
deverá ser criado o Arranjo Contingente de Reservas – linha de defesa adicional
para os países do bloco em cenários de dificuldade de balanço de pagamento.
Em Brasília, na próxima quarta-feira (16), ocorrerá reunião de trabalho
entre os mandatários dos países do Brics e chefes de Estado e de Governo da
América do Sul.
Fonte:
Agência Brasil
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