Proposta inclui estágio
probatório, formação continuada e progressão
Publicado em 13/12/2018 -
15:35
Por Mariana Tokarnia -
Repórter da Agência Brasil Brasília
A formação de professores deverá ser mais voltada
para a prática e orientada por competências, conforme propostas incluídas na
Base Nacional Comum da Formação de Professores da Educação Básica, apresentada
hoje (13) pelo Ministério da Educação (MEC). A base deverá orientar a formação
de professores em licenciaturas e cursos de pedagogia em todas as faculdades,
universidades e instituições públicas e particulares de ensino do país.
O documento inclui ainda propostas para ingresso na
carreira docente; o estágio probatório; a formação continuada e a progressão ao
longo da carreira.
De acordo com a base, desde o primeiro semestre, os
futuros professores deverão ter atividades práticas em uma escola pelo menos
uma vez por semana. Cada faculdade ou instituição de ensino deverá ser
associada a uma ou mais escolas de educação básica.
O modelo é inspirado na residência médica e na de
outros profissionais da saúde. A residência pedagógica inclui supervisão por um
professor do curso superior de formação e apoio permanente de profissionais
experientes da escola ou do ambiente de aprendizagem no qual se realiza a
residência.
Além de atividades práticas, os residentes terão
que observar, analisar e propor intervenções na escola. A residência deverá
ainda ser regulamentada por normas próprias.
Competências
A base sugere também que o aprendizado dos
professores seja orientado por competências. Segundo o MEC, uma competência é
um conjunto de domínios. “Não basta que o professor tenha o saber conceitual ou
a capacidade transmissiva, ele precisa desenvolver o domínio relacional, a
habilidade de conviver na diversidade das situações de sala de aula e estar
comprometido com o seu fazer profissional”, diz o texto.
Os futuros professores deverão ser formados com
base em 10 competências gerais, entre as quais, “compreender e utilizar
conhecimento historicamente construídos para poder ensinar a realidade com
engajamento na aprendizagem do aluno e na sua própria aprendizagem, colaborando
para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva” e
“pesquisar, investigar, refletir, realizar análise crítica, usar a criatividade
e soluções tecnológicas para selecionar, organizar com clareza e planejar práticas
pedagógicas desafiadoras, coerentes e significativas”.
Além das competências gerais, o documento menciona
quatro competências específicas para serem desenvolvidas em cada uma das
seguintes imensões: conhecimento profissional, prática profissional e
engajamento profissional.
Estágio probatório
Pela Base Nacional Comum da Formação de Professores
da Educação Básica, depois de entrar nas escolas, os professores novatos
deverão ser acompanhados pelos mais experientes, que terão papel de mentores,
orientando e auxiliando os novatos.
Para sair do estágio probatório, o professor terá que demonstrar domínio de determinadas habilidades e de competências previstas na base. Ele deverá apresentar um portfólio e ser avaliado pelo mentor e pela equipe gestora da escola.
Para sair do estágio probatório, o professor terá que demonstrar domínio de determinadas habilidades e de competências previstas na base. Ele deverá apresentar um portfólio e ser avaliado pelo mentor e pela equipe gestora da escola.
Outra proposta é que os professores continuem
aprendendo mesmo após deixar a faculdade. Essa formação ocorrerá em três
planos: nas redes escolares, onde os gestores deverão organizar cursos e
planejar atividades de formação; no âmbito externo, com a participação em
eventos educacionais, em cursos e em pós-graduações; e dentro das próprias
escolas, que deverão organizar ações formativas com os professores.
Plano de carreira
A sugestão do MEC é que os professores progridam na
carreira de acordo com o desenvolvimento de determinadas competências e
habilidades. Haverá quatro níveis de proficiência: inicial, para o formado na
graduação; probatório, para os novatos; altamente eficiente, para quem está em
nível avançado na carreira e deverá demonstrar habilidades complexas; e o
líder, que estará no nível mais alto e terá responsabilidades e compromissos
mais amplos.
De acordo com o ministério, a proposta para plano
de carreira e formação continuada deverá ser discutida com as entidades
representativas dos estados e municípios. Em um país de dimensões continentais,
“é estruturante ter uma coordenação nacional para estabelecer calibradores de
qualidade e acompanhamento das ações nos diferentes níveis de governo”,
acrescenta o MEC. A intenção é oferecer instrumento de gestão “que vai além de
cargos e salários”.
Mudanças no Enade
A base traz sugestões de modificação do Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) para que seja anual e sirva como
habilitação à docência. O Enade avalia os estudantes de graduação ao final da
formação. Atualmente o exame é aplicado para grupos diferentes de cursos a cada
ano, e um mesmo curso é avaliado a cada três anos. A proposta é que todos
aqueles que estejam concluindo licenciaturas façam obrigatoriamente o exame.
Segundo a base, os estudantes de licenciatura
poderiam fazer o exame ainda durante a graduação ou depois dela e, caso
aprovados, poderiam se habilitar para serem professores. Pela proposta do MEC,
o exame poderia servir ainda como parte do ingresso em concursos públicos. A
pasta pondera que a proposta ainda precisa de discussão e regulamentação.
O documento sugere ainda que seja criado um
instituto nacional de acreditação e formação de profissionais da educação que
concentre todas as ações, hoje em vários setores do MEC, como acreditação de
cursos de formação inicial, formulação de políticas de formação, avaliação e
monitoramento.
Próximos passos
A Base Nacional Comum da Formação de Professores da
Educação Básica será encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE) e
passará por discussão antes de ser aprovada. Depois, terá que ser homologada
pelo MEC para que passe a ter vigência. A partir do documento, as instituições
de ensino terão que elaborar os próprios currículos e formar os professores que
serão responsáveis por formar os futuros docentes.
Histórico
A Base Nacional Comum da Formação de Professores da
Educação Básica faz parte de uma série de mudanças que deverão ocorrer desde o
ensino infantil até o ensino médio do Brasil. No fim do ano passado, o MEC
homologou a Base Nacional Comum Curricular do ensino infantil e fundamental. O
documento estabelece o mínimo que deve ser ensinado em todas as escolas do
país, públicas e particulares.
No início deste mês, o Conselho Nacional de
Educação (CNE)aprovou a
Base Nacional Comum Curricular do ensino médio, que deve ser homologada nos
próximos dias pelo MEC. [LINK:
De acordo com o MEC, a base para a formação dos
professores pretende adequar o que é ensinado nas universidades ao que os novos
docentes deverão aplicar nas salas de aula. A nova base deverá conversar com
resolução aprovada também pelo CNE e homologada pelo MEC em 2015. Entre outras
coisas, a resolução estabelece que a formação dos
professores será mais longa e mais voltada à prática em sala de
aula.
Edição: Nádia Franco
Fonte:
Agência Brasil
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