Segunda-feira, 17 de dezembro de 2018, 18h56
Cerca de 83 mil estudantes com deficiência visual
de todo o país serão beneficiados pelas novas normas de redação em braille, que
já estão em vigor. As alterações promovidas pelo Ministério da Educação, que
constam da terceira edição da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e
da terceira edição das Normas Técnicas para a Produção de Textos em
Braille, basearam-se, principalmente, no Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa, assinado em 1990 e em vigor no Brasil desde 2016, visando a
garantia da padronização dos textos produzidos em todo o país.
Os dois documentos que estabelecem as novas normas
estão disponíveis no Portal do MEC e podem ser acessados. O material,
apresentado pelo MEC nesta segunda-feira, 17, em Brasília, foi produzido pela
Comissão Brasileira do Braille (CBB) em cerca de um ano de trabalho. A prática
é indispensável para que todos os estudantes cegos ou com baixa visão possam
usufruir dos livros em braille como importante instrumento para o seu
desenvolvimento.
A Grafia Braille para a Língua Portuguesa é
um documento normatizador e de consulta, destinado, especialmente, aos usuários
do sistema braille, professores, transcritores e revisores. Já a publicação da
terceira edição das Normas Técnicas para a Produção de Textos em
Braille tem como objetivo a definição e qualificação das diferentes
etapas da produção de um livro em braille. O material apresenta informações de
grande importância para embasar o trabalho de transcrição realizado pelos
profissionais e auxiliar na qualidade da produção de livros em braille.
“O trabalho apresentado é a soma de muitos esforços
para que quase 83 mil alunos possam ter uma educação com maior qualidade dentro
de uma padronização que a nova norma técnica está requerendo”, destaca o
secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do
MEC, Júlio César Meireles.
De acordo com o Censo Escolar, foram matriculados
82.630 estudantes com deficiência visual nas redes de ensino, em 2017.
“A importância desses referenciais em braille
se deve à necessidade de padronização do sistema braille adotado no Brasil, o
correto uso da simbologia braille e da sua aplicação. O que possibilita, de
fato, livros com qualidade para pessoas cegas que utilizam a grafia braille”,
enfatiza a diretora de políticas de educação especial do MEC, Patrícia Raposo.
A consultora Tânia Regina Martins Resende,
representante da Região Sudeste na CBB, explica: “Vou dar um exemplo: a hashtag,
que todo mundo fala. Hoje temos um símbolo em braille que significa hashtag,
que antes não existia. São símbolos que a língua vai produzindo e que o braille
precisa ter também. A língua é viva.”
Ela lembra que, justamente por a língua portuguesa
sofrer constantes mudanças, a necessidade de revisão da grafia braille é
constante e que, dentro de alguns anos, o trabalho precisará ser retomado.
Braille – Para ler e escrever, as pessoas
cegas dispõem do sistema de pontos em relevo mais utilizado em todo o mundo,
que é o sistema braille. Ele foi desenvolvido pelo francês Louis Braille e a
versão mais conhecida data de 1837. No Brasil, o sistema braille foi
oficialmente adotado em 1854, junto à criação do Imperial Instituto de Meninos
Cegos, atualmente Instituto Benjamin Constant.
Em 1999, o MEC criou a Comissão Brasileira do
Braille (CBB), com o papel de adotar uma política de diretrizes e normas para o
uso, o ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as
modalidades de aplicação. Em 2017, foi concluído o trabalho de atualização da
Grafia Química Braille para Uso no Brasil.
Assessoria de Comunicação Social
Fonte:
Portal Mec
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