04/06/2014 21h54 publicação
Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil
Edição: Luana Lourenço
Diante de grande polêmica, o plenário do Senado aprovou hoje (4) o
projeto de lei que pune famílias que usem violência física na educação dos
filhos. Conhecida como Lei da Palmada, o projeto foi aprovado mais cedo na
Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Casa, após intervenção do presidente
Renan Calheiros (PMDB-AL) para que o projeto fosse aprovado a tempo de chegar à
apreciação do plenário ainda hoje.
A proposta segue para análise da presidenta Dilma Rousseff, que terá até
15 dias úteis para vetar eventuais trechos ou sancionar integralmente o texto.
O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e prevê que eles
sejam educados e cuidados sem o uso de castigos físicos ou de tratamento cruel
ou degradante. O texto define castigo como a “ação de natureza disciplinar ou
punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à
criança ou ao adolescente”. Já o tratamento cruel ou degradante é
definido como “conduta ou forma cruel de tratamento que humilhe, ameace
gravemente ou ridicularize a criança ou o adolescente”.
A sessão foi acompanhada pela ministra da Secretaria de Direitos
Humanos, Ideli Salvatti, e pela apresentadora Xuxa Meneghel, que acompanhou a
tramitação da matéria e comemorou a aprovação. Ela defendeu o texto aprovado e
negou que a lei vá punir pais que queiram educar os filhos. “As pessoas
entenderam que não se trata de querer prender quem quer o educar o filho. É
mostrar que se pode educar, se deve educar sem violência. Ninguém vai ser preso
por dar uma palmada como estão querendo dizer. Mas talvez um dia as pessoas vão
entender que nem essa palmada é necessária, que se pode conversar”, disse a apresentadora.
Contrário ao projeto, o senador Magno Malta (PR-ES) tentou adiar a
votação com pedido de vistas de cinco dias na CDH, mas não conseguiu. Ele
criticou o texto por considerar que ele deixa os pais vulneráveis a denúncias
caluniosas ou a brigas de família que levem a acusações falsas. O senador leu
na tribuna um texto do jornalista Ricardo Kotscho criticando a iniciativa. “Não
sei qual a melhor solução, mas não é, certamente, punindo os pais com a Lei da
Palmada que vamos melhorar o nível educacional dos nossos jovens e construir
uma sociedade menos violenta, mais fraterna”, disse.
Apesar de os senadores favoráveis à matéria garantirem que não se trata
de legislação criminal, o texto prevê punições aos pais que insistirem em
castigar fisicamente os filhos, como advertência, encaminhamento para
tratamento psicológico e cursos de orientação, entre outras sanções. Os
conselhos tutelares serão responsáveis por receber denúncias e aplicar as
sanções.
O projeto recebeu no Senado o nome de Lei Menino Bernardo, em homenagem
ao garoto morto pelo pai e pela madrasta recentemente no Rio Grande do Sul. No
fim, a matéria foi aprovada sem alterações em relação ao texto enviado pela
Câmara dos Deputados.
Fonte:
Agência Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário