San Cristóbal (Venezuela)
Leandra Felipe - Enviada especial da EBC Edição: Fernando Fraga
A decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA), de não convocar
uma reunião de chanceleres e não enviar uma missão observadora à Venezuela,
para discutir a situação de protestos continuados em algumas regiões, foi
comemorada pelo governo venezuelano e repercutiu de forma positiva na imprensa
local, sobretudo nos meios de comunicação ligados ao governo.
Na sexta-feira (7), durante uma reunião extraordinária do organismo, 29
países, incluindo o Brasil,votaram
contra uma interferência, e somente o Canadá, os Estados Unidos e o
Panamá solicitaram à OEA uma ação no país.
O embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, considerou a decisão
como “histórica” pelo fato de o organismo ter optado pela não ingerência. O
governo venezuelano reiterou, em diversas ocasiões, que é contra a ação da OEA
na mediação ou observação dos prolongados conflitos que deixaram ao menos 22
mortos e mais de 260 feridos em três semanas de manifestações, bloqueios de
vias e atentados ao patrimônio público.
"A resolução que votamos será conhecida nos próximos dias e fala de
solidariedade, que é uma palavra bonita e histórica, porque a OEA está se
afastando de decisões anteriores”, comentou Chaderton, referindo-se à críticas
anteriores que a Venezuela lançava contra o organismo, por considerá-lo mais
alinhado aos interesses dos Estados Unidos que aos latino-americanos.
Em entrevista à televisão estatal Telesur, Chaderton comentou que o
Canadá teria sido mais “agressivo” que os Estados Unidos nas manifestações
contrárias “a atuação do governo venezuelano”. Ele também disse que a reunião
ter um caráter privado acabou sendo favorável à melhor condução da conversação.
“Não tivemos um circo midiático”.
Anteriormente, a decisão da reunião não poder ser acompanhada pela
imprensa, divulgada na última quinta-feira (6), provocou críticas e reações
negativas, inclusive do governo venezuelano. Chaderton informou que a Venezuela
“aplaudia o respeito da OEA à soberania de um país ameaçado por ações
desestabilizadoras e golpistas”.
O chanceler venezuelano Elías Jaua disse, em entrevista à emissoras de
televisão locais, que a OEA “conseguiu ver que a Venezuela trabalha pela paz e
que não têm atuado contra os manifestantes, mas sim contra grupos infiltrados
de extrema-direita que tentam romper a estabilidade”. Ele acrescentou que é
contra esse tipo de ação que o governo está atuando para preservar a lei.
A União das Nações Sulamericanas (Unasul) convocou, a pedido do governo
da Venezuela, para quarta-feira (12), uma reunião
extraordinária em Santiago, no Chile, para analisar a situação.
Chanceleres dos países membros terão um encontro no dia seguinte à posse da
presidenta eleita Michelle Bachelet.
Hoje (8), em San Cristóbal, estado de Táchira, local em que foram
iniciadas as manifestações estudantis no país, uma Conferência Regional de Paz
está sendo realizada com a participação do governo, da sociedade civil e
setores da oposição.
Na conferência de paz são discutidos discute temas sensíveis que geram
conflito, como os problemas econômicos, escassez de alimentos e criminalidade.
Neste sábado, grupos estudantis e representantes da sociedade civil preparam a
marcha “de panelas vazias, que será realizada ao mesmo tempo em que acontece a
conferência.
Táchira foi o primeiro estado militarizado pelo governo venezuelano após
o início da onda de protestos. Há três semanas com ações diárias de
manifestações, algumas pacíficas outras de caráter violento, o comércio da
cidade reduziu a jornada de trabalho e as lojas estão sendo fechadas por volta
de quatro da tarde.
Fonte:
Agência Brasil
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