Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil
Edição: Denise Griesinger
Brasília - A década de 1970 é reconhecida como o período em que a agricultura em
larga escala se intensificou no Brasil. Com o desenvolvimento da atividade, já
pensando na manutenção do que seria produzido no país, a então recém-criada Embrapa inaugurou, em
1974, o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen), que hoje tem em sua
coleção de base cerca de 120 mil variedades de sementes de espécies vegetais.
O Cenargen, hoje identificado como Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia, é responsável pelo backup do material que está
armazenado em diversas unidades da Embrapa em todo país. Segundo a pesquisadora
da empresa, Marília Burle, supervisora de Curadoria de Germoplasma (material
genético) do Cenargen, a meta é conservar o maior número possível de espécies
na forma de sementes.
Ela explica que a coleção de base de sementes é mantida a -20 graus
Celsius (ºC), forma de conservação a longo prazo estabelecida mundialmente. “Na
verdade, esse tipo de conservação não é tão antigo assim, os bancos têm modelos
estimando o tempo, mas a ideia é que, para a maioria das culturas, se conserve
por mais de 100 anos”, disse Marília, explicando que a germinação pode variar
conforme a espécie - cereais, por exemplo, podem se conservar por mais tempo
que as oleaginosas.
Além desse tipo de conservação, a Embrapa também utiliza a
criopreservação, com nitrogênio líquido, e a conservação in vitro. “Nos
tubinhos, em meio de cultura, a plântula cresce mais lentamente e a todo
momento temos que replicar aquelas plantinhas, por isso nossa ênfase maior é em
sementes”, explica Marília. A conservação in vitro é feita geralmente
para culturas que não podem ser conservadas na forma de sementes, como mandioca
e espécies florestais.
A coleção de base da Embrapa é armazenada em três câmaras frias,
alimentadas com energia elétrica e dois geradores de segurança. Em abril, a
empresa inaugura um novo prédio e um novo banco com capacidade para 700 mil
amostras, que vai agrupar a coleção de sementes, a criopreservação e a
conservação in vitro.
Apesar da estrutura disponibilizada, a Embrapa ainda não tem um
levantamento sobre o custo para manter as coleções. “Temos nos preocupado e
sido demandados para que isso seja feito. É uma questão levantada em âmbito mundial,
já que muitos bancos não vão saber dizer o custo para manutenção das amostras:
até que ponto é viável ficar colocando material nesses sistemas? É preciso
fazer uma priorização, mostrar melhor a diversidade”, argumenta Marília.
A coleção de base da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em
Brasília, faz, prioritariamente, o trabalho de conservação do material dos
bancos ativos de outras unidades da empresa. Não só plantas, como animais e
microrganismos, como a Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG); a Embrapa
Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE); e a Embrapa Florestas, em Colombo (PR).
Nesses bancos ativos é feito o trabalho em campo, de testar e pesquisar
as propriedades, fazer o manejo dos recursos genéticos e também multiplicar as
amostras, que serão enviadas para os bancos internacionais e para órgãos e
empresas solicitantes.
Tudo o que a Embrapa produz ou desenvolve é público. “É uma regra no
meio dos recursos genéticos, não se vende germoplasma. O interessado faz o
pedido online, nós geramos um termo de transferência, de propriedade
intelectual e enviamos, livre de custos”, explica Marília.
A pesquisadora conta que o Brasil é signatário do Tratado Internacional sobre
Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura (Tirfaa), da
Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que tem
como um dos objetivos facilitar o acesso ao germoplasma mantido no país e
importante para a alimentação e agricultura mundial.
O país também faz parte do Grupo Consultivo de Pesquisa Agrícola Internacional (Cgiar)
e grande parte das coleções de germoplasma da Embrapa estão duplicadas nos
centros internacionais do grupo. O Cgiar é uma parceria global que une organizações
envolvidas na pesquisa para a segurança alimentar.
“Nossos bancos ativos estão sempre enviando material para esses centros. Ano passado, foi enviado milho para o Cimmyt, no México. E também recebemos uma coleção de feijão-fava do Ciat, na Colômbia”, conta Marília.
“Nossos bancos ativos estão sempre enviando material para esses centros. Ano passado, foi enviado milho para o Cimmyt, no México. E também recebemos uma coleção de feijão-fava do Ciat, na Colômbia”, conta Marília.
Fonte: Agência
Brasil
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