Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
Edição: Davi Oliveira
Um encontro voltado a debater novos modelos de ensino reuniu hoje (28),
na capital paulista, especialistas no assunto, vindos de várias partes do
mundo. Educação híbrida, liberdade no ensino e aprendizagem online foram
alguns do temas discutidos durante esta manhã no evento Transformar, que está
em sua segunda edição.
Michael Horn, bacharel em história pela Universidade de Yale e formado
também na Universidade de Harvard, integra o ranking da revista Tech&Learning das
100 pessoas mais importantes quando se trata de tecnologia na educação. Horn
acha que o ensino atual mantém um modelo ultrapassado, semelhante à produção em
uma fábrica do início do século passado, no qual as crianças são divididas em
turmas conforme a faixa etária e recebem um ensino padronizado. “O mundo mudou,
cada criança precisa de um modelo que maximize cada uma. As pessoas aprendem de
maneiras diferentes, ritmos diferentes”, disse ele.
A proposta do especialista é que as escolas utilizem o ensino híbrido,
ou seja, inserir a aprendizagem online no contexto das aulas
convencionais. “A criança pode progredir no seu próprio ritmo, e personalizar a
educação”. A ideia é tornar o conteúdo mais envolvente e interessante para o
aluno, por meio de games e simulações, por exemplo.
O modelo virtual já foi testado em escolas norte-americanas, entre elas
uma em Los Angeles, na Califórnia, onde 90% dos estudantes são carentes. Na
escola, uma das melhores do país, o professor não precisa montar uma aula capaz
de atingir todos os alunos em sala de aula de uma vez só. “Esse modelo não faz
sentido para o aprendizado”, destacou.
O brasileiro Luís Junqueira, formado em letras pela Unicamp, acredita
que a escola tem que dar liberdade e confiar na autonomia do aluno. O projeto
Primeiro Livro, que ele desenvolve, dedica tempo das aulas de língua portuguesa
para que o estudante escreva o seu próprio livro de ficção. O objetivo é
elaborar uma plataforma virtual que concentre essas publicações, e permita que
as crianças interajam.
Luís conta que obteve resultados excelentes na Escola do Sítio, em
Campinas, onde o Primeiro Livro existe desde a década de 80, e na Escola
Castanheiras, onde o projeto começou em 2009. “As dúvidas gramaticais dos
alunos surgem a partir do livro que eles estão escrevendo”, disse. Além disso,
com a ajuda da tecnologia, as crianças podem sanar suas dúvidas assistindo a
videoaulas.
Zach Sims, eleito uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time de
2013, contou a sua experiência na fundação do projeto Codecademy, criado para
estimular o aprendizado de linguagem de programação. Enquanto fazia a graduação
em ciências políticas na Universidade de Columbia, Zach percebeu que a maioria
dos seus colegas estavam insatisfeitos por gastar dinheiro com um aprendizado
que não importava para a sua vida profissional.
“Passei um verão aprendendo sozinho a como programar e aprendi com os
meus próprios erros. Isso funcionava mais do que se eu ouvisse os conceitos e
tentasse aplicá-los. Enfrentando problemas, consertando erros, você aprende
mais”, declarou.
Zach decidiu criar o site www.codecademy.com,
uma plataforma gratuita para ensinar programação de uma maneira simples e,
assim, ajudar quem também tem interesse em aprender. “Fizemos de um modo fácil
para todo mundo, para [os interessados] não ficarem amedrontados”. Na contramão
do imaginário da maioria das pessoas, que acreditavam que programação é algo
difícil e que não desperta grande interesse, o site teve 200 mil
inscrições apenas no segundo dia de funcionamento, lembrou Zach.
“Ninguém sabia dessa demanda, muitas crianças se inscreveram. O site é
como um jogo, legal, divertido e envolvente. A programação é a linguagem do
século 21”, garantiu.
Fonte:
Agência Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário