Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
Edição: Denise Griesinger
Edição: Denise Griesinger
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aproveita o Dia Mundial
da Incontinência Urinária, comemorado hoje (14), para divulgar a campanha
"Segura aí", que visa a conscientizar a população sobre esse problema
que afeta homens e mulheres de todas as idades. A campanha educativa para o
público leigo começa no próximo dia 26, nas ruas e em unidades hospitalares de
várias localidades do país.
O coordenador do Departamento de Urologia Feminina da SBU, Márcio
Averbeck, disse à Agência Brasil que
estão definidas, até o momento, atividades em Porto Alegre e São Paulo. A
capital paulista concentra a maior parte dos serviços médicos do Brasil.
Outras capitais deverão aderir ao movimento.
“A ideia é fazer atividades de divulgação em locais de ampla
movimentação de pessoas. Em Porto Alegre, foi escolhida a Esquina Democrática,
no centro da cidade, próximo ao Mercado Público. Além disso, vão ser abordadas
algumas instituições hospitalares”, informou. Na capital gaúcha, por exemplo,
Averbeck citou o Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas, que atende grande
número de mulheres com queixa de incontinência urinária.
Em cada uma das cidades que sediarão a campanha, um médico urologista
membro da SBU, acompanhado por uma equipe, estará divulgando publicações que
explicarão às pessoas o que é a incontinência urinária e as modalidades de
tratamento existentes.
“Infelizmente, a gente sabe que muitas pessoas acabam não procurando
ajuda, tendo esse problema de incontinência urinária”. Segundo Averbeck, a
prática médica mostra que quando as pessoas procuram ajuda, em geral elas se
encontram em uma etapa em que a perda involuntária de urina está mais severa e
as chances de tratamento com cura não são as melhores. O constrangimento ou a
vergonha de falar do assunto com outras pessoas é um dos fatores que levam quem
sofre desse problema a não buscar ajuda médica e, muitas vezes, a se afastar do
convívio social.
Outro fator identificado pela prática clínica é o fato de as pessoas
acreditarem que a incontinência urinária é algo que acontece, de forma normal,
com o envelhecimento, “o que não é verdade”, acentuou Márcio Averbeck. Ele
deixou claro que “em qualquer etapa da vida, a incontinência urinária atrapalha
muito a qualidade de vida das pessoas”. Acrescentou que, muitas vezes, o problema
acaba levando as pessoas que sofrem dessa doença à depressão e até ao
suicídio.
Um estudo europeu demonstrou que idosos que levantam duas ou mais vezes
à noite para urinar, ou seja, que podem ter a bexiga hiperativa - uma das
causas da incontinência urinária, têm risco aumentado de quedas e fraturas e
mortalidade maior do que a população em geral, relatou o médico. “A
incontinência urinária gera um prejuízo importante na qualidade de vida do
indivíduo”, frisou.
O terceiro fator que leva as pessoas a não procurarem auxílio
médico é o desconhecimento sobre as modalidades de tratamento. Hoje, com a
evolução técnica, Averbeck assegurou que as cirurgias, quando necessárias, são
minimamente invasivas. Existem três tipos de incontinência urinária.
Uma delas é a incontinência por esforço, que ocorre quando a pessoa
tosse, espirra, levanta peso ou ri. A incontinência urinária de urgência é um
sinônimo de bexiga hiperativa e ocorre quando há uma súbita vontade de
urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao banheiro. Um terceiro tipo de
perda involuntária de urina mistura esses dois sintomas.
Além desses tipos, existe a incontinência por transbordamento, que afeta
com mais frequência homens que têm aumento da próstata e apresentam dificuldade
de esvaziar a bexiga. Em consequência dessa dificuldade, a bexiga começa a
transbordar e ocorre um gotejamento contínuo de urina. Esse tipo de
incontinência é muito perigoso, disse o urologista, porque pode indicar
insuficiência renal aguda.
Averbeck lembrou que, a partir de janeiro deste ano, as pessoas que
sofrem de incontinência urinária contam com dois novos procedimentos para o
tratamento, incluídos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
para 2014. Um deles é o implante do esfíncter urinário artificial em homens que
sofrem de incontinência urinária, após a remoção cirúrgica da próstata. “A
gente estima que entre 5% e 10% dos homens que fazem a cirurgia radical da
próstata vão apresentar incontinência urinária persistente, com necessidade de
tratamento. A gente sabe que esse esfíncter urinário artificial beneficia esses
homens”. O médico lembra que, no Brasil, o câncer mais frequente nos homens é o
da próstata.
Outro tratamento que entrou no rol da ANS é o implante de um marca-passo
da bexiga, chamado tecnicamente de neuromodulação sacral. Ele consiste na
estimulação elétrica do nervo da pelve para melhorar o sintoma de urgência em
pacientes que têm incontinência urinária de urgência. Cerca de 18% da população
brasileira apresentam sintomas de bexiga hiperativa. No Rio Grande do Sul, que
tem uma população de 10 milhões de pessoas, são 2 milhões de pessoas que sofrem
os sintomas da bexiga hiperativa. O implante do marca-passo é importante para
os pacientes que não respondem aos tratamentos mais conservadores, apontou.
O urologista da SBU disse ainda que menos de um terço dos brasileiros
que sofrem de incontinência urinária procura ajuda médica e, dentre os que
procuram auxílio clínico, 70% relatam que o tratamento feito não foi suficiente
para resolver o problema. “Isso significa dizer que hoje as pessoas não
conhecem e não desfrutam de todas as modalidades de tratamento que a gente tem
para oferecer no armamentário para essas condições”.
Por meio da divulgação do problema, a SBU quer melhorar as condições de
saúde da população brasileira. Averbeck informou que os sintomas de bexiga
hiperativa são mais comuns e mais frequentes na população do Brasil do
que a asma e o diabetes, que são doenças crônicas e bastante conhecidas. “A
bexiga hiperativa é tão prevalente e tão frequente, ou até mais, que o
diabetes”, disse.
A campanha "Segura aí", de esclarecimento da incontinência
urinária, é realizada pela SBU em parceria com o Instituto Lado a Lado pela
Vida.
Fonte: Agência Brasil
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