André Richter - Repórter da Agência Brasil
Edição: Fábio Massalli
Brasília - A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Banco Central pediram ao
Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão do julgamento das ações sobre perdas
no rendimento de cadernetas de poupança devido aos planos econômicos Cruzado
(1986), Bresser (1998), Verão (1989); Collor 1 (1990) e Collor 2 (1991). O
pedido é para que seja feita uma audiência pública para debater os impactos
financeiros da decisão do STF. O documento foi protocolado na sexta-feira (21).
Na petição protocolada no STF, o Banco Central e a AGU defendem que a
questão seja debatida antes do posicionamento final dos ministros, além de o
parecer da Procuradoria-Geral da República. O pedido de suspensão será
analisado pelo ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo.
O governo e as entidades de defesa do consumidor divergem sobre o
impacto da decisão do Supremo. Segundo o procurador do Banco Central,
Isaac Sidney Menezes Ferreira, o sistema bancário pode ter prejuízo estimado em
R$ 149 bilhões se o Supremo decidir que os bancos devem pagar a diferença. De
acordo com o procurador, o governo federal prevê retração de crédito nos bancos
públicos e privados, com a redução de crédito no sistema financeiro.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) discorda da
estimativa de perdas feitas pelo Banco Central. Para o instituto, o montante a
ser pago pelos bancos aos poupadores é R$ 8,465 bilhões.
Na semana passada, o STF adiou o julgamento das ações, que seria
retomado na quarta-feira (26). A questão voltaria a ser debatida, mas as
sessões desta semana foram destinadas aos recursos dos condenados na Ação Penal
470, o processo do mensalão.
O julgamento das ações sobre perdas no rendimento de cadernetas de
poupança foi iniciado em dezembro do ano passado, mas os ministros decidiram
adiar a conclusão, para que o assunto seja definido de uma só vez. Há 390 mil
processos parados em várias instâncias do Judiciário aguardando a decisão do
Supremo.
Fonte:
Agência Brasil
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