Os equipamentos de informática apreendidos em
ações de fiscalização da Receita nas aduanas, entregues à Fazenda Nacional ou
mesmo abandonados deverão ser destinados para escolas públicas municipais,
estaduais e federais (PLC 123/2015). Essa é a proposta que está pronta para
entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) após o período
eleitoral e que conta com um relatório pela aprovação feito por Roberto Requião
(MDB-PR). O senador reforça que pesquisas recentes indicam que menos da metade
das escolas públicas do ensino fundamental no Brasil possuem laboratórios de
informática. “Não se pode mais pensar em educar as futuras gerações sem o uso
dos preciosos recursos que computadores e acesso à internet propiciam. O que é
mais grave, a ausência de computadores ocorre nas regiões com mais carências
sociais, perpetuando as terríveis desigualdades que já marcam este país”,
afirma Requião no relatório. Por isso, ele avalia que não vê uso mais adequado
para materiais de informática retidos pela Receita do que doá-los para escolas
públicas. Com base nos dados da própria Receita relativos ao preço mínimo de
materiais de informática apreendidos que seguem para leilão, Requião demonstra
no relatório que a arrecadação se aproxima de R$ 20 milhões por ano. Além desse
material que é leiloado, outra parte é destinada para outros órgãos da
administração pública, e que também deverão seguir para as escolas caso a
proposta seja aprovada pelo Congresso e sancionada. Segundo o texto, as
mercadorias disponíveis ficarão anunciadas na internet durante 15 dias úteis,
prazo em que as escolas interessadas deverão se manifestar. Se mais de uma
escola manifestar interesse, caberá à Receita definir qual será a contemplada
segundo critérios definidos por meio de regulamento prévio. Na ausência de
regulamentação, a escola contemplada será definida por meio de sorteio. Caso
nenhuma escola manifeste interesse pelo material disponível, ele deverá seguir
para leilão ou doação para entidade sem fins lucrativos. O material poderá ser
destinado para órgão da administração pública ou mesmo ser destruído. O projeto
foi aprovado no ano passado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
Na ocasião, a relatora, Regina Sousa (PT-PI), lembrou que a proposta tem o
apoio da Receita Federal. A senadora apenas pede que, caso a nova
regulamentação se efetive, que haja uma boa divulgação para as escolas, para
que nenhum material seja desperdiçado.
Fonte:
Jornal do Senado
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