Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Para financiar as melhorias no
transporte público, o governo não apenas precisa reformar o sistema tributário
como redefinir as prioridades nos próximos anos. Entidades e especialistas
ouvidos pela Agência Brasil divergem sobre as fontes de recursos para
baratear as tarifas e melhorar a qualidade do serviço.
Presidente do Sindicato Nacional dos Auditores
Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), Pedro Delarue disse que a
cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) sobre
jatinhos, helicópteros, lanchas, iates e demais embarcações de uso pessoal tem
função social, ao fazer com que os mais ricos colaborem com um serviço público.
No início de julho, a entidade protocolou a proposta de emenda à Constituição
com a sugestão na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
“É uma questão de justiça tributária forçar o Poder
Público tirar dos mais ricos para dar aos menos favorecidos. Acho mais justo
taxar embarcações de luxo do que retirar o IPI [Imposto sobre Produtos
Industrializados] reduzido dos veículos porque, nesse caso, a classe média que
compra carro seria punida”, declarou Delarue.
A proposta do Sindifisco Nacional, no entanto,
esbarra em dois problemas. Primeiramente, o IPVA é recolhido e administrado
pelos estados, que não lidam diretamente com o transporte urbano, somente com
os sistemas intermunicipais de ônibus, trens e metrô. Além disso, por ser um
imposto, não uma contribuição, o IPVA não pode estar vinculado diretamente a
finalidades específicas como o financiamento do transporte coletivo.
Apesar das limitações, Delarue pensa em sugerir ao
Congresso Nacional a criação de um mecanismo que não fira a legislação e
permita a aplicação do IPVA sobre as embarcações de luxo em um fundo que
financiará os subsídios ao transporte público. “Esta pode ser uma saída para
estimular o planejamento da mobilidade urbana no médio e no longo prazo”,
disse.
O professor titular Reinaldo Gonçalves, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende medidas que onerem os
mais ricos, mas acredita que as ações devem ser mais amplas. Para ele, somente
uma ampla reforma no sistema tributário brasileiro permitiria a melhoria da
qualidade não apenas dos transportes, mas de todos os serviços públicos. “Temos
de mudar a estrutura tributária do país para fazer quem ganhe mais pague mais
imposto, tributando não apenas o patrimônio, mas também o capital”, declarou
Gonçalves.
O professor critica a política do governo federal
de desonerar a folha de pagamento para as empresas, incentivo também aplicado às
empresas de transporte coletivo. “Isso dificilmente se reverterá em melhorias
para a população porque o empresário não transfere a desoneração para os preços
e fica com os ganhos”, disse. “O mais importante é eliminar os subsídios a
grandes grupos econômicos e tributar, por exemplo, os ativos financeiros, que
pagam menos Imposto de Renda do que o trabalhador assalariado”, completou.
Para outros especialistas, no entanto, os aumentos
de impostos representam apenas medidas secundárias para melhorar os serviços
públicos. Assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc),
Eliana Graça disse que a redefinição de prioridades pelo Poder Público e o
aumento da transparência dos gastos são mais importantes. “No caso das empresas
de ônibus, a simples divulgação dos lucros e das planilhas de custos pode
permitir que as tarifas sejam barateadas sem que o governo tenha de pôr a mão
no bolso”, explicou.
Em relação ao pacto de R$ 50 bilhões para a
mobilidade urbana proposto pela presidenta Dilma Rousseff, Eliana Graça
acredita que o governo precisa melhorar a capacidade de planejamento e repensar
a estratégia de obras públicas. “Para que investir em um trem-bala que só
beneficiará uma elite? Esse dinheiro pode ser muito mais bem aplicado na
construção de linhas de metrô”, ressaltou. Previsto para ser licitado em
setembro, o trem-bala exigirá investimentos de pelo menos R$ 35 bilhões, de
acordo com a Empresa de Planejamento e Logística (EPL).
Edição: Aécio Amado
Edição: Aécio Amado
FONTE
Agência
Brasil
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